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ultrapiruetas
O post está gigante. Mas eu precisava registrar o que eu acho e, pra isso, eu queria fazer toda uma introdução.
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Eu já disse aqui que eu estudo Direito numa faculdade federal. O ponto de vista da qualidade do curso isso não é muita coisa, existem muitos cursos bons nas mais variadas instituições. Mas eu e você sabemos que os alunos que entram na minha faculdade não precisam estudar de graça. Não me tiro desse grupo. Eu, diante da situação financeira da minha família, poderia estudar numa instituição particular de qualidade.

Eu nasci numa família que pôde me dar oportunidade de estudo. Mas tenho esse privilégio porque meu pai já estudou muito nessa vida pra passar num concurso público. O emprego público deu a e ele oportunidade de crescimento profissional e hoje ele é uma das pessoas que eu conheço que mais se dedica ao trabalho. É lógico que ele não se cansa tanto quanto uma empregada doméstica em sua profissão, nem se desgasta tanto como um gari. Mas enfim, ele cumpre a sua função. O dinheiro que nos sustenta é ganho com um trabalho que ele se esforça muito pra cumprir corretamente.

Meu pai não teria passado num concurso público se minha avó paterna não tivesse feito das tripas coração pra meu pai e meus tios estudarem. Painho é um dos filhos caçulas e o cursinho pré-vestibular dele foi pago pelo irmão mais velho, que já trabalhava na época. Minha avó, costureira, que criou os filhos num bairro humilde de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, viu um dos filhos mais velhos – meu tio, o que pagou o cursinho de meu pai – obter seu PhD em Oxford.

Falo isso pra vocês terem uma idéia de como o conforto que eu tenho – sem nenhum esforço efetivamente meu – foi obtido. E mesmo que amanhã eu deixasse de ter o que eu tenho hoje, ficariam na minha memória os livros que eu li, os museus nos quais eu fui, as coisas que eu aprendi e as realidades que eu pude vivenciar. Isso, diferentemente de dinheiro, o fogo não queima.

Aí uns colegas de classe que depois da aula vão pra os próprios condomínios - que os afastam o máximo da realidade do outro lado do portão, pra almoçar uma comida quentinha e fazer a siesta numa cama confortável vêm me falar merda. Aí eu não aguento. Eu fico sendo a grossa, a rebelde sem causa, aquela que não consegue rir de piadas preconceituosas porque - oh! - tem algum senso crítico.

Enquanto eu pensar na quantidade de pessoas que querem um ensino de qualidade e se deparam com uma escola pública cheia de professores desmotivados eu não vou me deixar de me indignar quando alguém usa o adjetivo "favelado" no pior dos sentidos. Eu realmente acredito que as coisas estão melhorando dos últimos anos pra a faixa mais desprivilegiada da população. Alguns de meus coleguinhas adoram posar de como-eu-sou-sofrido-eu-pago-imposto-mimimi e reclamam do bolsa-família. Eles esquecem de que o dinheiro que quem recebe o bolsa-família ganha é menos do que eles pagam numa calça jeans e que o programa conseguiu tirar milhares de pessoas da miséria (taí uma coisa que eles deviam imaginar o que é: m-i-s-é-r-i-a) e movimenta o mercado.

Enquanto os burguesinhos se acharem melhor do que alguém por vestirem Lacoste ou Luis Vuitton eu vou continuar sendo a chata. Porque enquanto eu sou a antipática pra eles, eles são pra mim exatamente a corja que eu nunca quero ser.
 
 
ultrapiruetas
25 September 2010 @ 08:03 pm
acho que até eu me surpreendo com a minha capacidade de ser negativa. sei lá, eu estava andando com preguiça de seres humanos e de um tempo pra cá isso só se intensificou. acho que o que mais me incomoda é o materialismo e a futilidade das pessoas. é como se todo mundo quisesse provar alguma coisa uns para uns outros, e tudo através de compras.
quando eu leio blogs como o Just Lia e o Garotas Estúpidas eu me impressiono como elas fazem apologia ao nada. sério, parece que elas fazem esforço pra não serem profundas. só sabem falar de promoções da zara, da última coisa tosca que algum estilista teimou que é cool e elas passaram a gostar e de compras. meu, como essas meninas compram. imagino o vazio que deve existir dentro delas pra elas serem tão descontroladas.
mas o que me preocupa não são essas blogueiras. se a camila coutinho quer gastar cinco salários mínimos numa bolsa quem perde é ela. eu fico com medo pelas meninas de 13, 14, 15 anos que lêem esses bogs e querem ser iguais a elas.
e enquanto eu fala isso meio mundo de gente deve achar que eu sou invejosa.
que mundo bonito de se viver, hein.
 
 
ultrapiruetas
02 April 2010 @ 08:42 pm
"If you never do anything, you never become anyone..."
 


Eu assisti dia desses An Education e caramba, era inevitável que comparassem a Carey Mulligan com a Audrey Hepburn. Em determinado trecho do filme, copiaram o penteado e o tubinho preto tal qual os da Holly de Breakfast at Tiffany's. Só faltou a piteira com o cigarro. Isso pode ter de fato distraído algumas atenções, mas não comprometeu o filme na minha concepção. Ele denuncia a dificuldade das mulheres terem uma carreira na Inglaterra dos anos 60 sem comprometer sua vida pessoal. Mas acredito que essa parte política importante tenha ficado infelizmente em segundo plano, porque o filme obedece à fórmula que anda em voga atualmente, para que películas façam sucesso entre o público chamado "alternativo": muitas referências, figurino vintage e uma pegada independente no quesito trilha sonora. Isso aconteceu naquela ideologia pró-life disfarçada que foi Juno e em (500) Days of Summer. Até que achei esse último interessante. E gostei de  An Education porque apesar de ele seguir uma fórmula, essa fórmula ainda não cansa tanto quanto Hollywood.
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ultrapiruetas
11 February 2010 @ 04:14 am
eu podia estar matando.
eu podia estar roubando.
mas só estou pedindo que me façam umas perguntinhas pro meu formspring não ficar vazio, sabe?

formspring.me/ultrapiruetas

brigada.
 
 
ultrapiruetas
31 January 2010 @ 12:16 am
hoje eu fiz uma grande e enorme besteira.
talvez eu já tenha resolvido.
mas quem vai cuidar das minhas cicatrizes além de eu mesma?
estou caminhando para o final de Orgulho e Preconceito.
já coloquei O morro dos ventos uivantes na fila de leitura.
baixei Deixe-me viver pra ver se ele é ainda tão bom desde a primeira vez que eu o assisti.
as aulas na ufpe só começam em março.
maravilha.
mas meu francês começa na segunda-feira.
*pulinhos de alegria*
falando no francês, peguei meu boletim do semestre passado e fiquei com média geral 9.66.
alguma coisa tem dar certo pra variar, né.
descobri nessas férias que True blood é legal.
e que Bill Compton is <3.
detestei a versão de Guy Ritchie pra Sherlock Holmes.
aquele não é o detetive que eu aprendi a admirar.
mesmo que coloquem Jude Law pra ser Dr. Watson.
J.D. Salinger morreu na quinta-feira.
quando seu escritor favorito morre, você se sente um pouco órfã.
 
 
ultrapiruetas
15 August 2009 @ 08:16 pm
Não me venha com aquela conversa de que "toda mulher adora fazer compras e blablablá" (ou qualquer outra frase derivada). Sinto muito fazer seu mundo cair, mas isso não é verdade. Em primeiro lugar, qualquer frase iniciada com a expressão "toda mulher" (ou "todo homem, que seja) vai me deixar desconfiada. As pessoas não são iguais por pertencerem ao mesmo gênero, ainda mais em se tratando de comprar somente por comprar, sem ao menos precisarem daquilo que estão consumindo.

E quem tenta o convencer do contrário provavelmente está interessado no seu poder de compra. Pois, é claro que você sabe, o capitalismo está interessado no quanto você pode comprar e não se você é um ser humano que deveria ter momentos de satisfação independentes do dinheiro.

Sinto muito, mas essa besteira de que dinheiro traz felicidade não me convence. Pois, se convencesse, eu poderia correr o risco de me tornar uma daquelas pessoas que trabalham a vida toda em um emprego do qual não gostam, para poder comprar coisas que não precisam. E é claro que eu não quero isso para mim. Minha satisfação pessoas não é medida em números e representada em objetos.
 
 
ultrapiruetas
02 August 2009 @ 07:06 pm
Ontem teve show de Móveis Coloniais de Acaju no Mercado Eufrásio Barbosa, na área histórica daqui de Olinda. O melhor que eu show no qual eu já fui. Aquilo é arte de verdade, daquele tipo que nos faz concluir que ser artista é um estado de espírito. Antes mesmo de o show começar o vocalista estava lá aproveitando a música que tocava no som, no chão, assim como nós. Durante a performance do grupo, os músicos e o vocalista da banda chegaram a ir para o meio do público, onde fizemos uma roda dentro da qual eles continuaram a tocar. Eu e muitos espectadores fomos à euforia, e integrantes da banda pareciam estar se divertindo tanto quanto nós. Acho que no fim somos todos iguais, todos artistas, não? Sangrando e tentando levar a vida de uma forma mais poética.

"Penso, dispenso explicações
Não controlo meu super-ego
Impossível entender minha tristeza
Já desisti não existe porquê
Sou apenas mais um alegre deprê
"
 
 
ultrapiruetas
30 July 2009 @ 02:10 pm
Eu escrevo bem menos quando estou feliz, já percebi isso há tempos.
Só porque eu estou proibida de sair de casa por ter pego conjuntivite viral eu teria hoje três lugares pra ir.
Entre eles o aniversário de uma amiga muito querida.
E eu devo ter um auto-boicote social inconsciente, só pode.
As aulas começam segunda e por incrível que pareça eu estou empolgada.
As minhas notas altas do fim do semestre passado ao menos serviram pra isso.
Mas eu queria não ter Hermenêutica. E eu estou com medo do professor.
Mas pelo menos eu me livrei do professor mais mala-sem-alça da história no semestre passado.
Vai ter show de Móveis Coloniais de Acaju aqui em Olinda no sábado, será que eu me animo?
O melhor filme das férias foi Breakfast at Tiffany's.
Estou lendo Admirável Mundo Novo.
E a descoberta musical das férias foi Jens Lekman.
Eu pareço uma pessoa com altos problemas cognitivos escrevendo essas frases desconexas.

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ultrapiruetas
16 July 2009 @ 12:53 pm
=/  
E não leio a Istoé Gente, mas cheguei até esta reportagem , na qual Ticiane Pinheiro e Roberto Justus falam da chegada da filha, porque o tratamento de imagem deixou Ticiane sem umbigo e eu vi o link num site satirizando o uso do photoshop. Arrisquei-me a ler a reportagem e me deparei com a seguinte declaração da futura mãe:

"Outro dia, nós estávamos comendo uma lasanha. Aí, quando eu fui pegar mais um pedaço, ele
(o Roberto Justus) disse que não porque ia engordar muito. Ele cuida de mim e acha que não é porque casou que tem que relaxar, engordar. Acha que a mulher tem que ter algumas restrições. Roberto é superestético, gosta de ver gente bonita, bem cuidada".

É com esses valores que a futura filha deles vai ser criada. Qua a mulher casada tem que ter até o que come controlado pelo marido, que a mulher tem que ter algumas restrições. Pois, por ser mulher, tem que ter, diferentemente dos homens, a obrigação de ser magra sempre, independentemente de concordar ou não com isso. Porque, afinal, ela é mulher, não tem escolha, é "natural" que ela tenha como prioridade a estética. Que pena dessa criança...
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ultrapiruetas
30 June 2009 @ 04:57 pm
Sinceramente? É bem melhor que eu deixe meus ídolos e heróis num pedestal. Preciso disso pra ser feliz.
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