Segunda-feira recomeçam minhas aulas na faculdade. Aulas de um curso que eu nunca quis verdadeiramente fazer. Há alguns posts eu afirmei que tinha chegado à decisão de que era Direito mesmo o que eu queria pra minha vida profissional. Mentira. Era mentira, e das feias, porque eu estava - pra variar - tentando enganar a mim mesma. Esses meses de férias representaram pra mim tempo livre - privilégio já quase esquecido por mim, vide a correria insone e desgastante do último semestre -, que me serviu de reflexão sobre minha futura "vida profissional".
Provavelmente achei que Direito tinha sido a melhor escolha porque estava praticamente convivendo somente com assuntos e pessoas relacionados à faculdade. E depois das manhãs de aulas maçantes eu chegava em casa e mergulhava em trabalhos acadêmicos intermináveis. Desse jeito, não tinha uma visão de mundo mais abrangente. Nessas férias, revi amigos que estudam as mais diversas coisas e pude perceber que, por mais que suas áreas de estudo pareçam díspares, 90% deles têm algo em comum: eles estudam o que gostam, apesar de saberem que terão dificuldades depois com o mercado de trabalho (dificuldades que supostamente para mim serão minimizadas devido ao "nome" e ao "prestígio" da faculdade na qual eu estudo e ao grande número de concursos públicos destinados à área jurídica.)
Mas não penso em desisitir. Não aguento mais vestibular e mesmo se conseguisse enfrentá-lo novamente, não saberia para qual curso me inscreveria. Pretendo terminar Direito e depois fazer algum pós-graduação em algo que realmente me interesse. Se eu conseguir sair do Brasil pra estudar e me aperfeiçoar em algum idioma, melhor ainda.
Mas esse grande choque de realidade não foi o único acontecimento das minhas férias. Eu até que saí bastante, revi muita gente, li alguns livros (bem menos que eu queria), vi alguns filmes. Dentre as minhas "descobertas culturais", algumas precisam ser citadas:
A Vida Secreta das Palavras: Lindo, lindo, lindo. O filme passa a beleza brincipalmente no sofrimento. Marcou-me profundamente, por narrar sobre as barbaridades que os seres humanos ainda são capazes de cometer. Algo que choca também no filme é o fato de ele fazer luz a uma guerra recente. O cinema freqüentemente narra histórias referentes às atrocidades da Segunda Grande Guerra. Mas uma coisa que a gente não pode esquecer é que existem pessoas nesse exato instante sofrendo atrocidades inimagináveis. Ele entra para a lista dos "filmes que mudaram a minha vida", definitivamente.
Lolita, de Vladmir Nabokov: Basicamente o livro é conhecido por narrar a vida de um pedófilo (Humbert) e sua obsessão por Lola. Mas o livro não fala somente sobre pedofilia. O narrador - o próprio Humbert, um homem defitivamente doente, que não mesde esforços para atingir seu objetivo principal, ter Lola só para si - possui uma narrativa com muito humor e ironia. Na minha opinião é um bom livro, e a leitura também é válida porque clássicos, de certo modo, sempre valem a pena, pois eles, para transformarem-se em clássicos, definem e marcaram a sociedade da época.
Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva: Eu tinha começado esse livro quando tinha 13 ou 14 anos, mas tinha parado de ler porque a linguagem um tanto "vulgar" tinha me deixado surpresa, já que eu estava acostumada a ler livros de estilo mais ortodoxo. Agora retomei para ler no momento certo - talvez mais tarde do que deveria. A narrativa e a linguagem empregadas possuem uma grande semelhança com a de J.D. Salinger, em O Apanhador no Campo de Centeio (o qual ainda é o meu livro preferido). O Apanhador... é até citado por Paiva no livro. Na verdade, até por ser um livro que, além de narrar o acidente que o deixou paraplégico, registra suas memórias, ele é cheio de referências. Quando a gente termina de ler, sente uma ligação de amizade com Marcelo. E quando eu sinto isso com o autor, sei que o livro foi realmente bom.
Li mais coisas e vi outros filmes, mas esses prioritariamente precisavam ser citados. Mas ainda muita coisa pode acontecer nessas férias, eles ainda não acabaram, restam-me ainda dois dias. E todo mundo sabe que um fim de semana pode mudar completamente a vida de uma pessoa.